Quando eu atravessava a fase da explosão hormonal, vulgo adolescência, lá pela época do paleolítico, quem tinha o azar de ter de andar de aparelho nos dentes era o alvo de todos os mimos dos colegas. Totó seria talvez o epíteto mais simpático que se poderia ter. O totó do aparelho era a ave rara da escola, o cepo de todas as marradas e o motivo da chacota.
Hoje ter aparelho é fixe... não sei se este termo ainda se usa, talvez seja palavreado do paleolítico... cool, tótil... whatever... O facto é que há mais aparelhos dentários por metro quadrado do que habitantes na ilha de Java. E o fenómeno é de tal forma significativo que chega a existir uma ... ehhh... chamemos-lhe... moda ortodôntica que permite aos adolescentes mostrarem orgulhosos os seus arco-íris fluorescentes orais.
Sendo eu um espécime da época dos dinossauros, há muito que passei a fase das dúvidas existênciais típicas dos adolescentes, como tal, exibir um aparelho ortodôntico após os... cofff... cooooffff... enta anos... é daquelas coisas que não me causa qualquer problema... ok... ok... não poder comer "tramoços e minguins" não facilita mas, enfim, há coisas piores...
Bom, voltando ao assunto, há uns dias senti-me como o "totó ave rara vítima de bullying" quando, num estabelecimento comercial, a empregada estava tão embasbacada a olhar para o meu maravilhoso aparelho ortodôntico e me obrigou a repetir vezes sem conta a mesma coisa pois não ouvia absolutamente nada do que lhe dizia.
Ainda hoje estou na dúvida se a senhora esteve numa ilha isolada do mundo durante uns anos ou se é mesmo lerda...
Valeu pelas gargalhadas que proporcionou a este espécime da época dos dinossauros de sorriso metálico e ao seu acompanhante!

