Na maioria das cidades, existem elementos arquitectónicos decorativos colocados em locais (mais ou menos) estratégicos, com o objectivo de embelezar, criar dinâmicas, reunir pessoas, identificar , etc..
É vulgar encontrarmos esculturas, estruturas, iluminação, fontanários, e outros elementos do género. Porém, a minha cidade está dois passos à frente das demais. Cá no burgo não se perde tempo com ninharias! Nada disso! Por cá, se há um espacito vago, logo se trata de encontrar um semáforo para o ocupar.
Muitos poderão pensar que esta preocupação da autarquia até tem a sua razão de ser, uma vez que um semáforo até é um elemento escultórico, é colorido, ílumina-se, tem movimento, enfim... uma verdadeira peça de decoração. Provavelmente tem razão quem pensa assim, mas este meu feitio do contra diverte-se a levantar dúvidas e, como tal, não tenho tanta certeza da sua utilidade.
Poderão dizer que são elementos reguladores do tráfego e, por isso, muito úteis à sociedade. Claro que sim! Só gostava de saber por que motivo os semáforos cá do burgo, ao contrário dos outros que alternam de verde para amarelo e de amarelo para vermelho, estão sempre em modo amarelo intermitente. Piscam, piscam, piscam, piscam, como se não houvesse amanhã, numa cadência monótona semeando a confusão em alguns cruzamentos bem problemáticos.
Como se isto não bastasse, pela acção do tempo ou de um ou outro indivíduo que se distrai a fazer pontaria, uns estão tortos, outros partidos, outros ainda com graffiti ou decorados com autocolantes.
Se não servem para regular o trânsito, se estão danificados, afinal para que servem? A única conclusão que me parece lógica é que se tratam de elementos decorativos. Podiam investir numas fontes, numas esculturas, sei lá... mas ao que parece, os semáforos-tortos-e-partidos-sempre-pisca-pisca-em-amarelo-como-as-árvores-de-natal-das-lojas-dos-chineses são mais avant-garde.