Há sempre outro lado

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14 de fevereiro de 2013

São Valentim



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
O amor é quando um homem/mulher quiser, não precisa de data assinalada no calendário. Agora vou ali apanhar uma overdose de coraçõezinhos e anjinhos e rosinhas e bombonzinhos e casalinhos e beijinhos e consumozinho...

7 de fevereiro de 2013

A Máquina


Podia escrever sobre a música dos Amor Electro mas agora não me apetece. A máquina objecto deste post é outra, aliás, a "máquininhá"...

Um belo dia, eu e o meu companheiro de aventuras, fomos a uma padaria/pastelaria cá do burgo. Dirigi-me ao balcão da zona da padaria e ele sentou-se numa das mesas da pastelaria com o intuito de tomar um café enquanto aguardava por mim. Na pastelaria estavam uns 6 clientes sentados nas mesas (se tanto) e a empregada tardava em recolher o pedido. Entretanto, já com o pão comprado, juntei-me ao meu companheiro de aventuras que ainda aguardava que a empregada viesse recolher o pedido. Alguns minutos depois, lá se dignou a arrastar o corpo vagarosamente pelos 4 metros que separavam o balcão da mesa, como quem arrasta um fardo pesado, até junto de nós:

(Para maior realismo, ler a fala da empregada de mesa com sotaque brasileiro)

Empregada: Boa tarde! Então o que vai ser?
Companheiro de aventuras: Um café, se faz favor.
Empregada (olhando para mim com ar de pasmo): É só?
Eu: Sim é só, obrigada.

Lá regressou ao balcão, com os seus vagares, como se pedisse licença a um pé para mexer o outro e uns minutos depois regressou com o café. Surpreendentemente, deteve-se junto da nossa mesa e encetou o seguinte monólogo:

Empregada: Oi... porque não compra uma maquininha? Compra o pózinho, faz o café em casa e fica muito mais barato!

Num misto de incredulidade e estupefação, eu e o meu companheiro de aventuras acenámos com a cabeça e ela afastou-se, no seu ritmo vagaroso, deixando-nos boquiabertos e sem reacção.

Apenas quando deixámos o estabelecimento fomos capazes de assimilar o que tinha sucedido. Ficámos na dúvida se a senhora estava genuinamente preocupada com o nosso orçamento familiar e estava a aconselhar-nos no sentido de não esbanjarmos dinheiro, ou se estaria aborrecida por ter de se deslocar uns metros para servir um café. Ainda comentámos que o patrão dela devia ficar muito feliz por saber que paga a alguém para aconselhar clientes a deixarem de consumir.

Mais uma sessão de gargalhadas e mais uma história para contar.

Ah... e a senhora continua no activo. Para nós ganhou o nome carinhoso de "a da máquininhá".

31 de janeiro de 2013

As maravilhas da ortodontia



Quando eu atravessava a fase da explosão hormonal, vulgo adolescência, lá pela época do paleolítico, quem tinha o azar de ter de andar de aparelho nos dentes era o alvo de todos os mimos dos colegas. Totó seria talvez o epíteto mais simpático que se poderia ter. O totó do aparelho era a ave rara da escola, o cepo de todas as marradas e o motivo da chacota.

Hoje ter aparelho é fixe... não sei se este termo ainda se usa, talvez seja palavreado do paleolítico... cool, tótil... whatever... O facto é que há mais aparelhos dentários por metro quadrado do que habitantes na ilha de Java. E o fenómeno é de tal forma significativo que chega a existir uma ... ehhh... chamemos-lhe... moda ortodôntica que permite aos adolescentes mostrarem orgulhosos os seus arco-íris fluorescentes orais.

Sendo eu um espécime da época dos dinossauros, há muito que passei a fase das dúvidas existênciais típicas dos adolescentes, como tal, exibir um aparelho ortodôntico após os... cofff... cooooffff... enta anos... é daquelas coisas que não me causa qualquer problema... ok... ok... não poder comer "tramoços e minguins" não facilita mas, enfim, há coisas piores...

Bom, voltando ao assunto, há uns dias senti-me como o "totó ave rara vítima de bullying" quando, num estabelecimento comercial, a empregada estava tão embasbacada a olhar para o meu maravilhoso aparelho ortodôntico e me obrigou a repetir vezes sem conta a mesma coisa pois não ouvia absolutamente nada do que lhe dizia.

Ainda hoje estou na dúvida se a senhora esteve numa ilha isolada do mundo durante uns anos ou se é mesmo lerda...

Valeu pelas gargalhadas que proporcionou a este espécime da época dos dinossauros de sorriso metálico e ao seu acompanhante!

30 de janeiro de 2013

Descafeínado sem cafeína



- É um café e um capuccino sem cafeína se faz favor.
- Ahh... descafeinado?...
- Não, CAFÉ... e capuccino sem cafeína!
- Pois... mas só temos descafeínado...
- ????
- Só temos capuccino descafeínado.
- Não faz mal, pode ser mesmo um desses... (?!?!)

Argumentar para quê? Mais vale alinhar no esquema...
Esta não é anedota. Passou-se comigo.