Há sempre outro lado

7 de fevereiro de 2013

A Máquina


Podia escrever sobre a música dos Amor Electro mas agora não me apetece. A máquina objecto deste post é outra, aliás, a "máquininhá"...

Um belo dia, eu e o meu companheiro de aventuras, fomos a uma padaria/pastelaria cá do burgo. Dirigi-me ao balcão da zona da padaria e ele sentou-se numa das mesas da pastelaria com o intuito de tomar um café enquanto aguardava por mim. Na pastelaria estavam uns 6 clientes sentados nas mesas (se tanto) e a empregada tardava em recolher o pedido. Entretanto, já com o pão comprado, juntei-me ao meu companheiro de aventuras que ainda aguardava que a empregada viesse recolher o pedido. Alguns minutos depois, lá se dignou a arrastar o corpo vagarosamente pelos 4 metros que separavam o balcão da mesa, como quem arrasta um fardo pesado, até junto de nós:

(Para maior realismo, ler a fala da empregada de mesa com sotaque brasileiro)

Empregada: Boa tarde! Então o que vai ser?
Companheiro de aventuras: Um café, se faz favor.
Empregada (olhando para mim com ar de pasmo): É só?
Eu: Sim é só, obrigada.

Lá regressou ao balcão, com os seus vagares, como se pedisse licença a um pé para mexer o outro e uns minutos depois regressou com o café. Surpreendentemente, deteve-se junto da nossa mesa e encetou o seguinte monólogo:

Empregada: Oi... porque não compra uma maquininha? Compra o pózinho, faz o café em casa e fica muito mais barato!

Num misto de incredulidade e estupefação, eu e o meu companheiro de aventuras acenámos com a cabeça e ela afastou-se, no seu ritmo vagaroso, deixando-nos boquiabertos e sem reacção.

Apenas quando deixámos o estabelecimento fomos capazes de assimilar o que tinha sucedido. Ficámos na dúvida se a senhora estava genuinamente preocupada com o nosso orçamento familiar e estava a aconselhar-nos no sentido de não esbanjarmos dinheiro, ou se estaria aborrecida por ter de se deslocar uns metros para servir um café. Ainda comentámos que o patrão dela devia ficar muito feliz por saber que paga a alguém para aconselhar clientes a deixarem de consumir.

Mais uma sessão de gargalhadas e mais uma história para contar.

Ah... e a senhora continua no activo. Para nós ganhou o nome carinhoso de "a da máquininhá".

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