Este lado da minha vida tem andado um pouco abandonado por manifesta falta de tempo/assunto/vontade e, embora possa parecer que tenha emigrado para um país bem isolado do resto do mundo onde não há internet, continuo aqui a sonhar com as férias.
A propósito de férias e de emigração, Agosto é, por excelência, um mês de fluxos migratórios, tal como o das andorinhas na primavera.
Respeito imenso os emigrantes/imigrantes, acho que são pessoas de coragem. Não é fácil deixar tudo para trás e partir para o desconhecido, levando apenas na bagagem a vontade de ter uma vida melhor. Mas, confesso, há alguns que me tiram do sério! E é a estes que dedico este post.
Acho curioso que, no seu país de acolhimento, andem a beijar bandeiras e a gritar viva Portugal, viva a Amália, etc., e, quando vêem um português de férias por lá, desatem a falar na língua local para que o patego do turista não perceba (e, muitas vezes, o patego do turista, até conhece o suficiente da língua local para saber que eles falam incorrectamente, ou percebe imediatamente que aquele bigode farfalhudo e aquela tatuagem a dizer "Angola 1968" estão algo desenquadrados). Claro que há muitos que se comportam de forma civilizada, aliás, até creio que a maioria, porém hoje apetece-me escrever sobre os que se acham superiores a tudo e todos.
Fazer o percurso rodoviário que este espécime faz, nesta época do ano, é digna de um national geographic! Pelo tipo de viatura dá para identificar o país de origem: se tiver um tejadilho repleto de sacos de plástico, amarrados com cordas, de forma a dobrar a altura do carro/carrinha são do norte de África. Se for um carro de marca alemã, com umas almofadas de crochet, bagagem a tapar o vidro traseiro e atrelado são Tugas.
Formam filas intermináveis nas autoestradas (autoroutes, para eles), invadem as áreas de serviço onde aproveitam para lavar os pés nos lavatórios das mãos, etc.. São autênticas maratonas de condução, em jeito de "os cavalos também se abatem" mas na versão rodoviária.
Quando se aproximam da fronteira, aceleram como se não houvesse amanhã, desafiando as probabilidades e a sorte com ultrapassagens de fazer arrepiar todos os cabelos do corpo.
Já em terras lusas, exaltam de forma estridente a terra de acolhimento, mostrando aos pategos que lá é que é bom porque não há bidonvilles, nem chômage, nem sans-abri. Conduzem como fou e estacionam as suas voitures (muitas alugadas, mas isso não interessa nada) em qualquer lado porque eles estão de férias e, se quiserem estacionar à frente de uma garagem, estacionam porque têm o direito de fazer tudo e, além do mais não é "garagem" que se diz é "garage" (mania dos pategos não saberem escrever como deve ser!).
Eu sei que estes são a excepção mas, na verdade, sempre que vejo uma voiture com o belo chien de coleira encarnada a acenar com a cabeça, crucifixo no retrovisor, música do Tony Carreira aos berros e matrícula amarela tenho medo... muito medo!