Há sempre outro lado

29 de novembro de 2013

Publicidade? Sim! Sim! Siiiimmm!!!



Há um spot publicitário que passa actualmente na TV e que me deixa a pensar seriamente na vida. Má publicidade, creio eu, é aquela que nos deixa indiferentes. Esta não. Tem o dom de me deixar a pensar. Boa publicidade, portanto... 

O spot em causa tem tal efeito no meu subconsciente e consciente e inconsciente que, sempre que passo num estabelecimento comercial onde existe o bendito produto, fujo para o lugar mais distante não vá aquilo conter qualquer substância contagiosa que me deixe como a senhora do anúncio. Certos atributos à parte, que até dariam algum jeito, ficar como a senhora seria um pouco complicado! Senão vejamos, sempre que viajasse de avião:
  1. teria de carregar na minha carteira um frasco de champô tamanho XXL, coisa para conter, pelo menos, 2 litros, o que me parece muito prático...;
  2. sentiria uma compulsão para lavar o cabelo na casa de banho do avião, que é sempre algo natural e habitual. Aliás, as casas de banho dos aviões são espaçosas e devidamente equipadas para proceder a uma correcta e eficaz lavagem de cabelo;
  3. teria de soltar uns sons estranhos enquanto lavava o cabelo e de fazer movimentos de ancas, qual odalisca em plena dança do ventre;
  4. teria de dar a conhecer aos passageiros e à tripulação estes meus dotes, accionando inadvertidamente um altifalante com um interruptor que existe nos WC's dos aviões e de extrema utilidade nos momentos em que acaba o papel e há necessidade de chamar a hospedeira;
  5. teria de me submeter a uma secagem ultra potente, que me deixaria o cabelo seco em segundos mas que acarretaria sérios riscos de contrair uma pneumonia dada a violência da projecção do ar.
Um caso evidente de "publicity meets reality" mas assim beeemmm de looongeeee... digo eu... que tenho mau feitio...

14 de fevereiro de 2013

São Valentim



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
O amor é quando um homem/mulher quiser, não precisa de data assinalada no calendário. Agora vou ali apanhar uma overdose de coraçõezinhos e anjinhos e rosinhas e bombonzinhos e casalinhos e beijinhos e consumozinho...

7 de fevereiro de 2013

A Máquina


Podia escrever sobre a música dos Amor Electro mas agora não me apetece. A máquina objecto deste post é outra, aliás, a "máquininhá"...

Um belo dia, eu e o meu companheiro de aventuras, fomos a uma padaria/pastelaria cá do burgo. Dirigi-me ao balcão da zona da padaria e ele sentou-se numa das mesas da pastelaria com o intuito de tomar um café enquanto aguardava por mim. Na pastelaria estavam uns 6 clientes sentados nas mesas (se tanto) e a empregada tardava em recolher o pedido. Entretanto, já com o pão comprado, juntei-me ao meu companheiro de aventuras que ainda aguardava que a empregada viesse recolher o pedido. Alguns minutos depois, lá se dignou a arrastar o corpo vagarosamente pelos 4 metros que separavam o balcão da mesa, como quem arrasta um fardo pesado, até junto de nós:

(Para maior realismo, ler a fala da empregada de mesa com sotaque brasileiro)

Empregada: Boa tarde! Então o que vai ser?
Companheiro de aventuras: Um café, se faz favor.
Empregada (olhando para mim com ar de pasmo): É só?
Eu: Sim é só, obrigada.

Lá regressou ao balcão, com os seus vagares, como se pedisse licença a um pé para mexer o outro e uns minutos depois regressou com o café. Surpreendentemente, deteve-se junto da nossa mesa e encetou o seguinte monólogo:

Empregada: Oi... porque não compra uma maquininha? Compra o pózinho, faz o café em casa e fica muito mais barato!

Num misto de incredulidade e estupefação, eu e o meu companheiro de aventuras acenámos com a cabeça e ela afastou-se, no seu ritmo vagaroso, deixando-nos boquiabertos e sem reacção.

Apenas quando deixámos o estabelecimento fomos capazes de assimilar o que tinha sucedido. Ficámos na dúvida se a senhora estava genuinamente preocupada com o nosso orçamento familiar e estava a aconselhar-nos no sentido de não esbanjarmos dinheiro, ou se estaria aborrecida por ter de se deslocar uns metros para servir um café. Ainda comentámos que o patrão dela devia ficar muito feliz por saber que paga a alguém para aconselhar clientes a deixarem de consumir.

Mais uma sessão de gargalhadas e mais uma história para contar.

Ah... e a senhora continua no activo. Para nós ganhou o nome carinhoso de "a da máquininhá".

5 de fevereiro de 2013

X K




Xe ah uma coixa ke me deixa ah toa eh exta forma extranha ke os putox de hoxe têm de exkrever. Xe eu foxe profexora axo ke já me tinha paxado dox karretox.

Dixem elex ke axim exkrevem maix rápido... duvido! Axo ke exte novo dialekto xerve apenax para dexaprenderem e darem kalinadax das groxas! Xe formox a ler ixto em voz alta parexe ke xomox oriundox dax berxas ou ke temox um xério problema de fala.

Daki a unx anox teremox advogadox, xuíxex, ekonomixtas, profexorex, polítikox e demaix xidadãox a exkrever axim! Fantáxtiko!

2 de fevereiro de 2013

Rotundas



Se há invenções que marcaram a história do Homem são a roda e a rotunda!

Independentemente de se poder considerar a segunda o resultado de uma apropriação criativa da primeira, parece-me que a inteligência que, pela primeira vez, pensou em construir uma rotunda, devia ser galardoada com o Prémio Nobel pelo bem praticado.

Já imaginaram o que seria das nossas cidades, vilas e aldeias sem rotundas? Seria o descalabro! O trânsito seria caótico; não existiriam locais para colocar fontes, estátuas, sinalética, flores, calhaus, etc.; e a BT ficaria sem locais com visão de 360º para fazer operações stop!

Quem não aprecia uma boa rotunda? Daquelas com 5 faixas de rodagem, com separadores em betão, semáforos a meio, placas de trânsito suspensas camufladas pela poluição ou por ramos de árvores, de preferência com lombas e bandas sonoras nas oito vias que confluem para ela?

Quem não gosta de sentir a adrenalina de ver a sua saída a aproximar-se e não conseguir encostar-se à direita porque há sempre alguém mais inteligente que já ocupou essa faixa? Ou de se deparar com um veículo a circundar a rotunda em contra-mão?

Quem não gosta do exercício mental a que obriga a circulação numa rotunda? Adivinhar para que lado o veículo que se aproxima vai virar uma vez que o condutor é poupado e não faz pisca; lembrar-se das alterações do código da estrada e, por conseguinte, das alterações da circulação na rotunda; escolher o momento em que deve sair; etc..

Quem não gosta da emoção que é fazer a rotunda na totalidade quando se apercebe que a sua saída ficou para trás? E de completar esta volta como se estivesse num carrossel, a ver a vida passar, com uma banda sonora de apitos e f.... da p...?

Já imaginaram como seria a nossa vida sem rotundas?

Prémio Nobel, no mínimo...

1 de fevereiro de 2013

Semáforos


Na maioria das cidades, existem elementos arquitectónicos decorativos colocados em locais (mais ou menos) estratégicos, com o objectivo de embelezar, criar dinâmicas, reunir pessoas, identificar , etc..

É vulgar encontrarmos esculturas, estruturas, iluminação, fontanários, e outros elementos do género. Porém, a minha cidade está dois passos à frente das demais. Cá no burgo não se perde tempo com ninharias! Nada disso! Por cá, se há um espacito vago, logo se trata de encontrar um semáforo para o ocupar.

Muitos poderão pensar que esta preocupação da autarquia até tem a sua razão de ser, uma vez que um semáforo até é um elemento escultórico, é colorido, ílumina-se, tem movimento, enfim... uma verdadeira peça de decoração. Provavelmente tem razão quem pensa assim, mas este meu feitio do contra diverte-se a levantar dúvidas e, como tal, não tenho tanta certeza da sua utilidade.

Poderão dizer que são elementos reguladores do tráfego e, por isso, muito úteis à sociedade. Claro que sim! Só gostava de saber por que motivo os semáforos cá do burgo, ao contrário dos outros que alternam de verde para amarelo e de amarelo para vermelho, estão sempre em modo amarelo intermitente. Piscam, piscam, piscam, piscam, como se não houvesse amanhã, numa cadência monótona semeando a confusão em alguns cruzamentos bem problemáticos.

Como se isto não bastasse, pela acção do tempo ou de um ou outro indivíduo que se distrai a fazer pontaria, uns estão tortos, outros partidos, outros ainda com graffiti ou decorados com autocolantes.

Se não servem para regular o trânsito, se estão danificados, afinal para que servem? A única conclusão que me parece lógica é que se tratam de elementos decorativos. Podiam investir numas fontes, numas esculturas, sei lá... mas ao que parece, os semáforos-tortos-e-partidos-sempre-pisca-pisca-em-amarelo-como-as-árvores-de-natal-das-lojas-dos-chineses são mais avant-garde.

31 de janeiro de 2013

As maravilhas da ortodontia



Quando eu atravessava a fase da explosão hormonal, vulgo adolescência, lá pela época do paleolítico, quem tinha o azar de ter de andar de aparelho nos dentes era o alvo de todos os mimos dos colegas. Totó seria talvez o epíteto mais simpático que se poderia ter. O totó do aparelho era a ave rara da escola, o cepo de todas as marradas e o motivo da chacota.

Hoje ter aparelho é fixe... não sei se este termo ainda se usa, talvez seja palavreado do paleolítico... cool, tótil... whatever... O facto é que há mais aparelhos dentários por metro quadrado do que habitantes na ilha de Java. E o fenómeno é de tal forma significativo que chega a existir uma ... ehhh... chamemos-lhe... moda ortodôntica que permite aos adolescentes mostrarem orgulhosos os seus arco-íris fluorescentes orais.

Sendo eu um espécime da época dos dinossauros, há muito que passei a fase das dúvidas existênciais típicas dos adolescentes, como tal, exibir um aparelho ortodôntico após os... cofff... cooooffff... enta anos... é daquelas coisas que não me causa qualquer problema... ok... ok... não poder comer "tramoços e minguins" não facilita mas, enfim, há coisas piores...

Bom, voltando ao assunto, há uns dias senti-me como o "totó ave rara vítima de bullying" quando, num estabelecimento comercial, a empregada estava tão embasbacada a olhar para o meu maravilhoso aparelho ortodôntico e me obrigou a repetir vezes sem conta a mesma coisa pois não ouvia absolutamente nada do que lhe dizia.

Ainda hoje estou na dúvida se a senhora esteve numa ilha isolada do mundo durante uns anos ou se é mesmo lerda...

Valeu pelas gargalhadas que proporcionou a este espécime da época dos dinossauros de sorriso metálico e ao seu acompanhante!